Dois anos de Tubaína Bar

No dia 14 de julho de 2009 abrimos oficialmente as portas do
Tubaína Bar, uma ideia que parecia insana. Quem apostaria, há mais de dois
anos, que abrir um bar de refrigerantes regionais no centro de São Paulo, daria
certo? Nós não tínhamos certeza de nada,
até dois dias depois, quando o bar estava na chamada de capa do UOL de
Fim de Semana; era a novidade do Twitter, e “bombaba” de gente, sem que
tivéssemos feito uma única propaganda, apenas um singelo email para alguns
amigos. Hoje já há mais bares e restaurantes oferecendo tubaínas ou drinques
com tubaína, e nós estamos felizes de ter ajudado a dar esse status para uma
bebida que até um tempo atrás, era tratada de forma pejorativa.

As campanhas da grande indústria de refrigerante contra as
pequenas fábricas de interior, ou contra empresas que produzem bebidas por um
custo menor para famílias com baixo poder de compra, sempre foi hostil e
agressiva. Em um mercado liderado por marcas gigantescas como Coca-Cola e
Guaraná Antarctica (Ambev), a política adotada de achatamento dos pequenos, foi
uma das mais desleais que possam ter se visto em muitas indústrias.

As Tubaínas que sucumbiram, não caíram frente à livre
concorrência que o mercado diz existir, mas frente a táticas antiéticas, que
incluíam a pressão de grandes fabricantes nos supermercados, instados a tirar
as pequenas marcas das gôndolas antes de qualquer negociação. Outra forma de
aniquilar Tubaínas foi comprando as marcas, para depois fechar as fábricas.
Citei outro dia o caso do Guaraná Cibel, de Poços de Caldas, que foi comprada
pela Coca-Cola e deixou de ser fabricada este ano. Quando a marca é a mais
vendida da região, a grande fabricante continua produzindo, mas limita a sua
distribuição. É o caso do que a Coca-Cola fez com o Guaraná Jesus no Maranhão,
ou com a Simba, que só é vendida em determinados bairros de São Paulo. Fora
isso, houve uma grande campanha na imprensa, orquestrada pelos grandes
produtores de refrigerante, para denegrir os pequenos fabricantes, acusando-os
de produzir sem qualidade, de serem ruins ou não terem higiene. A campanha
colou na opinião pública, e os produtores chegaram a se envergonhar de usar o
nome Tubaína.

Foi cercados por essa imagem negativa, criada por uma
indústria que parece invencível, que abrimos o Tubaína Bar há exatos dois anos.  Com muita ousadia e charme, trouxemos para o
centro da cidade pequenos produtores de Tubaínas, a maioria do interior de São
Paulo. A imprensa veio atrás da nossa sacada e mostrou em jornais, revistas, na
internet e até na TV, os rótulos de marcas que nunca tinham se exposto à luz de
um flash jornalístico. ESPN, SBT, TV Cultura, MTV, Multishow, Mega TV e Fashion
TV, gravaram programas mostrando os nossos refrigerantes. Neste mês, fomos assunto
do Programa Amaury Jr – colunista social ícone na televisão brasileira e
sinônimo de luxo-, que mostrou algumas das 34 Tubaínas que oferecemos, e alguns
dos nossos 21 drinques servidos com a bebida. Parecia que estávamos adivinhando
quando escrevemos em nosso cardápio: “Tubaína é simplicidade, e é um luxo”.

Mas nada vem gratuitamente. O bar que abriu há dois anos foi
resultado de uma pesquisa que tínhamos iniciado um ano antes, quando começamos
a erguer o projeto. Nas conversas que tivemos com produtores, mas
principalmente com centenas de clientes, descobrimos que existia uma saudade
romântica, de um tempo em que era possível brincar na rua e tomar um
refrigerante em um saquinho; de um tempo em que as pessoas não se ligavam nem a
marcas nem a consumos; de um tempo em que a imaginação vinha em preto e branco;
de um tempo que se almoçava em casa. O mundo mudou, para melhor em muitas
coisas, mas tem algumas que gostamos de lembrar com ingenuidade, como se tudo
tivesse sido perfeito. A Tubaína está na memória das coisas que eram boas.  É um pouco disso que buscamos no Tubaína,
quando combinamos boa música, boa comida, boa cerveja, um ambiente aconchegante
e TUBAÍNA!

*Veronica Goyzueta trabalha como correspondente para
diversos veículos internacionais, e é  fundadora do Tubaína Bar, em São Paulo.

2 comentários em “Dois anos de Tubaína Bar

  1. Assisti ao programa Mundo S/A na Globo News e sou apaixonada por Etubaina e Ginge Birra.
    Vcs possuem filial no Rio de Janeiro?

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