O Mistério da Tubaína

Quando surgiu há três anos a ideia de abrir um bar especializado em Tubaínas, nunca imaginei que seria o inicio de uma nova viagem pela cultura brasileira. Até então, escrevendo sobre o Brasil para veículos internacionais, tinha percorrido boa parte do país ouvindo e contando histórias. É claro que em um bar em que se misturam boa bebida, comida, música e conversas, a atividade cultural já estava garantida. Mas, e se juntar Tubaína…

No meio da pesquisa para fazer o bar conversamos com muita gente para tentar entender o que a Tubaína significava para as pessoas. Descobrimos que todo mundo tinha uma história para contar com as Tubaínas. Curiosamente, a Daniela, sócia do bar e responsável pela ideia, tinha uma mágoa: a Tubaína era a bebida que acompanhava seus almoços de infância de domingo, quando na verdade o que ela queria tomar era Coca Cola. Mas a birra de criança virou a nostalgia de um refrigerante docinho, que andava escasso na cidade grande. E esse era o sentimento da maioria das pessoas com as que conversamos: o de uma grande saudade. Teve um senhor que entrou no bar um dia e chorou no primeiro gole de Etubaína Orlando. Ficamos emocionados com a cena e com a sensação de que estávamos resgatando uma “saudade”. De fato, muitas fabricantes de Tubaína não existem mais. A Tubaína Cibel, de Poços de Caldas foi a última a fechar, há uns meses atrás.

Mas de onde vem esse refrigerante? Esse é um mistério até para nós. Graças aos contatos que fizemos nos últimos três anos e a ajuda dos amigos Thell de Castro, Godi Júnior e da turma do Tubaínas e Afins temos algumas pistas, mas estamos longe de certezas. Tivemos a sorte de conhecer pouco antes de abrir o bar, o Eduardo Orlando, um jovem de Piracicaba que herdou da família a responsabilidade de manter a produção do refrigerante Etubaína Orlando, uma marca que está no coração dos piracicabanos. Produzida desde 1913, a Etubaína é o refrigerante mais antigo que conhecemos com a marca Tubaína no rótulo, o que não nos garante necessariamente que seja o primeiro a inventar a fórmula.

Já em uma das viagens pelo interior do estado de São Paulo, Thell e Godi acharam em uma feira de Ribeirão Preto uma garrafinha de Guaraná Fabbri Cabeça de Bugre, que é o guaraná mais antigo que já encontramos. O rótulo leva um 1898 estampado, data em que Natal Fabbri fundou uma Cervejaria na Fazenda Estrela de Lourdes, hoje parte do município de Brodowski. Hoje a família Fabbri, representada por Don Amando e seus filhos, Humberto e Sheila Fabbri.

A partir dessas duas pistas podemos ter duas certezas: que os refrigerantes foram introduzidos no Brasil por imigrantes italianos no final do século XIX, e que essas fábricas não eram apenas de refrigerantes, mas de bebidas em geral, às vezes produzindo cervejas, outras aguardentes e licores. Já a origem do nome é um mistério, uns dizem que vem da essência de Tutti Frutti, presente na bebida. Eu tentei forçar alguma inspiração no Tupi Guarani, onde Tuba quer dizer “abundante”, mas essa pode ser mais uma das viagens que gostaria de começar nesta coluna, tentando achar a origem de um gênero de bebida que conquistou o coração dos brasileiros.

*Veronica Goyzueta trabalha como correspondente para diversos veículos internacionais, e é fundadora do Tubaína Bar, em São Paulo. Escrito para a Revista Tubaínas & Afins.

2 comentários em “O Mistério da Tubaína

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